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06 maio 2009

Crise e estresse


A crise está aí, há já algum tempo, só que agora, ainda tem a tal da gripe suína – quem pode ! Com isso e mais a redução do nível de negócios, enquanto aumentam – e não proporcionalmente -,os compromissos a saldar, os problemas crescem e se acumulam, e o Consultor ainda tem que dar “um jeito” na problemática do cliente.

Uma das conseqüências desse cenário – uma das piores -, é o estresse... Que se desenvolve sorrateiramente, de mansinho, provocando estragos só observados após já se ter instalado. E um dos resultados possíveis– desculpem-me o alarmismo e franqueza –, pode ser, como afirmam alguns epidemiologistas, além das úlceras, uma gravíssima cardiopatia.

Que fazer? Ora, pois se não podemos mudar totalmente nossa realidade externa, nosso cenário, talvez se possa, isso sim, comandar nossas respostas “internas” , administrar os seus resultados negativos, tanto mentais e emocionais quanto somáticos, controlando, dentro do possível , o natural e previsível estresse , com diminuição e até supressão dos efeitos.

Para isso, temos duas palavras mágicas – relaxamento e meditação- e não estamos falando de religião nem de auto-ajuda, mas sim da utilização de técnicas , até bem conhecidas e testadas.

Que vêm se demonstrando, aliás, excelente alternativa, ao alcance dos executivos e empresários em geral, para se conviver com as crises que, por paradoxal que pareça, podem também resultar em comportamentos e atitudes mais saudáveis que os atualmente praticados.
Quer saber mais? Comente e sugira.
Paulo Jacobsen

03 abril 2009

CHORAR NÃO ADIANTA!


Existe uma Crise – todos concordam. Vai durar muito? Só divergimos quanto ao prazo. Também se discutem as responsabilidades. Houve fraude? Foram inconsequentes? Parece que sim. Desligaram-se os controles? Tudo indica. E assim por diante, um monte de acusações e caça aos culpados e até de alguns bodes expiatórios. Por exemplo, o coitado do Bush que sempre acreditou Paris ficar no Texas e que todo o mundo agora chama de incompetente – que poderia lá ele fazer se “sumidades” econômicas, professores e consultores (até prêmios Nobel ) e poderosos grupos financeiros não lhe alertavam a respeito - muito ao contrário , se calaram, por astúcia ou ignorância -, enquanto o “tsunami” se aproximava ?

Ora, porque não concordarmos todos que a Crise foi e é afinal e, antes de tudo, um fenômeno de amoralidade e ausência de ética – de esquecermos que nosso direito e necessidade terminam onde começa os dos outros -, fingindo não saber- que se alguém ganha, alguém em consequência perde e quando se ganha exageradamente muito, o mesmo ocorre, de sinal trocado. A todo débito corresponde um crédito, já assegurava há muito Frei Lucca Paciolo

Mesmo com a foto esmaecida, confusa, vamos parar de chorar e apresentar uma proposta. Mais especificamente, por que não se cria, por exemplo, um “Certificado de Responsabilidade Social“ – ou algo parecido -, para as empresas que realmente quiserem fazer alguma coisa , além de simplesmente espernear e pedir mais dinheiro?

Funcionaria assim: o Governo concederia estímulos creditícios e fiscais, benefícios cambiais e preferência em fornecimento aos governos. Em troca, as empresas se comprometeriam em não despedir seus efetivos – além de determinada cota e por um prazo específico, principalmente, nos setores mais críticos e para os níveis hierárquicos menos elevados – até três ou quatro salários mínimos, por exemplo.

Quixotesco? Por incrível, isso até já funcionou. No Brasil, há cerca de 40 anos, o ministro Roberto Campos propôs um pacto para conter a explosiva inflação. As empresas se comprometiam manter estáveis seus preços estáveis por 10 meses em troca daqueles estímulos e preferências. A adesão ao pacto foi liderada pela indústria automobilística, que, pela sua importância, trouxe a reboque os fornecedores (aço, pneus, borracha, plásticos, têxtil...) e estes foram puxando a adesão à CONEP dos petroquímicos, alimentícios...Para ficar num exemplo de passado recente.

Entre as inegáveis vantagens de tais medidas é que elas transfeririam os ônus da “acomodação” - que a Crise vem imperiosamente exigindo -, do Governo para o Setor Privado, da iniciativa estatal de salvação pública para a racionalidade mais cuidadosa e efetiva dos administradores empresariais, do atacado de medidas populistas e bombásticas para o varejo das iniciativas pontuais e objetivas.

Ficam o comentário e a sugestão. Para grandes males, homéricos remédios. Continuamos a chorar o leite derramado ou construímos novas oportunidades, realimentando corajosamente mais e melhor nosso plantel leiteiro?

Luiz Affonso Romano-Presidente do Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização (IBCO) e Paulo Jacobsen- Professor e Consultor.